Você sabe o que é a logística reversa e qual o seu papel na atuação ambiental?

Pensando em trazer esclarecimentos, convidamos o coordenador de Administração, Augusto Guilherme, para falar sobre o tema.

 Por Hellen Patriny

Constantemente, surgem novos termos para definir novos processos mercadológicos ou para definir procedimentos que já existiam, porém que não contavam com uma nomenclatura. Se você já está por dentro do mundo dos negócios, talvez alguns destes termos não lhe sejam estranhos, como a “logística reversa”, por exemplo. Mas fato é que, muitos ainda são leigos aos termos técnicos, talvez não o conheçam, mesmo que envolvidos nos processos de forma prática.

Sendo assim, trouxemos o coordenador do curso de Administração das Faculdades Prominas, Augusto Guilherme Silveira Dias, que é Mestre na área, para falar um pouco sobre a temática e para introduzir a discussão. O professor explica que o surgimento do sistema se deu pela necessidade das etapas.

“Vimos nas últimas décadas, que com a abertura de mercados, criação de blocos econômicos e aumento da globalização, surgiu um novo posicionamento da logística, onde a mesma foi ‘renomeada’ como Supply Chain Management (Gestão da Cadeia de Suprimentos).  E isso ocorreu devido a busca constante para diminuição da demora entre a solicitação e a entrega do produto ao cliente, já que o mundo adotou o Just in Time – ou seja, quase  tudo sendo feito após demandado – em que o tempo tem que ser o menor possível, e para alcançar este resultado, o responsável pela Logística precisa entender toda essa cadeia produtiva, desde a busca por suprimentos no fornecedor, o seu processo de produção na empresa, estoques e os modais, dentre outras etapas”, explana.

Ainda, de acordo com o coordenador, o arranjo neste processo de crescimento e evolução, está assumindo um papel ambiental muito importante com a Logística Reversa Pós-Consumo.

“Temos muitas empresas preocupadas com ações de sustentabilidade, que buscam as sobras dos materiais advindos dos seus produtos no meio ambiente, após eles serem consumidos. Temos como grandes exemplos ações de empresas de cerveja que utilizam vasilhames retornáveis, ou mesmo apoiam catadores para o retorno de latinhas ou garrafas, descartadas do meio ambiente, para o sistema produtivo. Da mesma forma vemos empresas que trabalham com venda de café em capsulas criando campanhas para devolução das mesmas. Muitos desses processos são caros, pois a reciclagem ainda não se popularizou tanto para baixar todos os custos, porém as empresas conseguem ter um ganho indireto relacionado à sua imagem”, expõe.

Fica evidente, então, que este processo alinha a imagem e a identidade empresarial de uma maneira positiva, credibilizando e até fidelizando o cliente que possua consciência para preservação, fato que é cada vez mais comum, já que os consumidores estão mais atentos às causas globais.

“Pensem comigo: se tenho dois produtos iguais – e com o mundo globalizado, a tendência é a homogeneização dos produtos – o que vai me ajudar a decidir por uma empresa ou por outra?! As ações em sustentabilidade podem ajudar muito no Marketing da empresa. Segundo pesquisas, os consumidores tendem, na sua maioria, decidir a sua compra vinculada a produtos e processos das empresas que respeitem o meio ambiente, ou seja, entidades sustentáveis. Portanto, mesmo que o processo neste momento agregue valores maiores, é possível recuperar esse dinheiro por meio de marketing”, Augusto Guilherme induz a reflexão.

E o aspecto extrapolou os limites da esfera da autopromoção e adentrou também para o universo legislativo. Tais mudanças exigem não só das instituições, mas também do profissional que visa ocupar cargos nas mesmas, que deverá estar cada vez mais preparado e munido de conhecimento em diversas vertentes.

“A Logística Reversa também vem ganhando força por Lei. Em 2010 foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga várias empresas a buscarem os seus produtos pós-consumo no meio ambiente. Como exemplo dessa obrigação legal temos as empresas de pneus, empresas de agrotóxico, empresas de pilhas e baterias, dentre outras. Assim, a Logística Reversa está se transformando dentro da empresa em um fator estratégico, de alta necessidade e que consegue influenciar na decisão de compra dos seus consumidores. Então, hoje em dia, quem for assumir essa área na empresa, deverá ter em mente que trabalhará na questão sustentável com forte apelo ao marketing, gerando novas divisas e rumos para a empresa e buscando a fidelização dos seus clientes”, conclui.

 

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