Mercado de trabalho em Odontologia se renova na pandemia e apresenta crescimento considerável

Coordenador de Odontologia das Faculdades Prominas fala sobre a reação de expansão deste mercado e quais os fatores decisivos para isto.

Por Hellen Patriny

A pandemia da COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 ou Novo Coronavírus, trouxe consigo muitas mudanças e várias necessidades de adaptação. A doença vem produzindo repercussões não apenas de ordem sanitária e epidemiológica em escala global, mas também impactos sociais, econômicos, políticos e culturais sem precedentes na história recente das epidemias.

Uma das diversas áreas afetadas foi a odontologia. O cirurgião-dentista é habilitado para os cuidados do sistema estomatognático, portanto realiza ações preventivas, projeta e instala próteses, realiza cirurgias, e além disso, trata doenças na língua, gengiva e bochecha. A área é tão ampla, que no mercado de trabalho, para se ter uma ideia, o profissional pode exercer sua função no serviço público, em clínicas odontológicas de terceiros ou como autônomo, gerindo seu próprio negócio, além da docência, pesquisa e gestão em saúde, podendo investir também em concursos para órgãos públicos ou carreira militar.

Mas qual a ligação entre a pandemia e este segmento? Como os nossos dentes e a nossa saúde bucal, no geral, reagiram à necessidade do isolamento social? Como a saúde mental afeta o nosso sorriso? Para esclarecer algumas destas especulações, o coordenador da graduação de Odontologia das Faculdades Prominas, Wallace de Freitas, veio contribuir na discussão.

De acordo com o docente, “mesmo com a crise sanitária gerada pela pandemia de Covid no país, a prática odontológica continua em alta, visando a promoção e a prevenção da saúde bucal de todos. Ou seja, pacientes seguem procurando os consultórios odontológicos a fim de evitar complicações e garantir que a saúde bucal esteja em dia. Além disso várias demandas estão crescendo com a pandemia: a primeira delas é a Disfunção Temporomadibular (DTM)”.

O cirurgião-dentista explica que DTM, também conhecida como ATM, tem várias manifestações, por isso é necessário se manter atento aos sinais.

“É comum que durante a disfunção haja sons de cliques ou estalos ao abrir e fechar a boca; dificuldade para abrir a mesma; edema facial; enxaquecas fortes e recorrentes, dores intensas próximas aos músculos da mastigação e da articulação temporomandibular”, comenta.

Mas esse não é o único problema que tem sido recorrente nos consultórios, outra demanda frequente, segundo Wallace, é o Bruxismo. Ele cita alguns aspectos que caracterizam-no.

“Nesta patologia é sempre presente um ranger ou um forte apertar dos dentes. Nesse caso, o paciente sente os músculos da face doloridos ou dor de cabeça. O bruxismo pode fazer com que os dentes fiquem doloridos e, às vezes, partes do órgão são literalmente desgastados. Ambas manifestações requerem uma intervenção do dentista que vai definir o diagnóstico correto, bem como estabelecer o melhor plano de tratamento para cada cliente, sempre considerando suas especificidades”, afirma.

“A alta incidência dessas doenças e das manifestações supracitadas, juntamente à problemas bucais já prevalentes, como a cárie e doença periodontal, estão associadas à questão psicológica do paciente, como estresse, ansiedade e depressão; fatores que foram agravados com a pandemia e com o isolamento social; situação em que muitos trabalham em regime de home office e aumentam o consumo de carboidratos fermentáveis (como a sacarose, presente nos doces) e, caso o paciente descuide da higienização da cavidade bucal, essas doenças podem se manifestar em grande intensidade”, completa.

Outro fator destacado pelo Mestre em Odontologia, e que põe fim a esse bate-papo,  refere-se às medidas instituídas por novas diretrizes durante a surto da Covid, ações que conforme o mesmo, não estão muito distantes da realidade odontológica já habitual quando o assunto é higiene e cuidados sanitários.

“A atual pandemia levou à formulação de diretrizes específicas para o atendimento em diversos países, a fim de instituir medidas preventivas e evitar a disseminação do vírus. Porém, os procedimentos sempre aconteceram com medidas de segurança e as estatísticas têm mostrado que os cirurgiões-dentistas tiveram baixos índices de contaminação, considerados como uma das classes de profissionais de saúde menos afetados pela COVID-19. Os números mostram o altíssimo grau de cuidado e profissionalismo que estes trabalhadores praticam.”, conclui.

 

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